• Editorial

    O segundo número da revista já está no ar! Assim como “love is in the air”, sob a forma de um novo amor, uma escrita também perpassa pelo investimento libidinal de cada um que se coloca a escrever para uma revista digital que segue a Psicanálise de Orientação lacaniana da EBP. A política de ação da EBP é a de transmitir, a quem possa ouvir os ecos de uma Psicanálise - que tem incidência real desde os passes dos analistas (AEs) que são expostos a toda comunidade de analistas e não-analistas - assim como todas as publicações que surgem aos borbotões sob a égide de transferência de trabalho à AMP e à causa analítica em todas as mídias possíveis. Publicar uma revista é apostar na via da Psicanálise na cidade, para além das quatro paredes de um consultório onde aqueles que passam pela experiência analítica são tocados de forma indelével e convocados a encontrar assim, seu estilo e forma de escrita singulares. Isto só se aprende fazendo, reiterando, colocando em pratica o funcionamento da escrita.
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  • Entrevista Alberto Saul – psicanalista, EOL, AMP.

    É uma experiência muito gratificante. Encontro com colegas de contextos culturais diferentes, mas com referenciais teóricos comuns. Essa é uma das maravilhas da Escola (ligada à Associação Mundial de Psicanálise): pertencer a comunidades de trabalho em que o saber se acumula e se compartilha. A barreira do idioma é um obstáculo. Mas com toda a dificuldade, nos põe à prova no desejo de fazer uma ponte. Tenho ( ou melhor Tendo?) sido convidado a falar sobre o amor, e não é estranho este tema à conjuntura a que cada um “dá o que não tem”, pondo à mostra, até o limite, a castração à qual nos expõe o exercício de cada uma de nossas línguas.
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  • Passagem ao ato e Acting out – Breves considerações

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    Os conceitos em psicanálise foram construídos por Sigmund Freud a partir de uma prática. Foi escutando, inicialmente, as histéricas que Freud cria a psicanálise e vai construindo seus conceitos, porém, durante todo o seu período de escuta e escrita, Freud vai revendo os conceitos até ali formulados. Em Freud vamos encontrar o termo alemão “agieren” que significa atuação, quase sempre, de caráter impulsivo que rompe com as motivações habituais do sujeito, em inglês “acting out”, que surge na teoria de Freud ligado ao de transferência, esta como motor, mola do tratamento analítico e ao mesmo tempo como entrave de uma análise. O acting out é articulado na psicanálise como um ato no qual o sujeito, em análise, atua, age ao invés de recordar e colocar em palavras uma cena infantil. Esta atuação ou colocação em prática das pulsões, fantasias e desejos de um sujeito, pode ser tanto dentro como fora do consultório de psicanálise.
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  • A direção do tratamento: o poder e a parcialidade na impostura do analista.

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    O que Lacan quis dizer no início do seu texto “A direção do tratamento e os princípios do seu poder” quando afirma que “ pretendemos mostrar como a impotência em sustentar autenticamente uma práxis reduz-se, como é comum na história dos homens, ao exercício de um poder” (Escritos, p. 592)? A palavra práxis utilizada nesta citação, que na transcrição para o grego significa ação, mas na terminologia marxista obtemos o sentido mais aproximado do qual Lacan pretende utilizar, revela o caráter dialético entre uma teoria e uma prática.
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  • Estranho Sonho

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    No seu terceiro ensaio da sexualidade, em 1905, Freud imprime o que considera a mais dolorosa das metamorfoses da puberdade, o “desligar-se da autoridade dos pais”, não propriamente dos pais em carne e osso, mas do que incorporou, via identificação com os pais, que internalizados, integram o super eu, herdeiro do complexo de Édipo.
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  • A Devastação e o Luto na Feminilidade

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    Trata-se de duas histórias de vida assemelhadas nas perdas. De um lado a mãe cuja filha predileta morre acidentalmente e, logo após, fica devastada com a perda do amor do objeto amado e, de outro, a esposa cujo marido, sempre saudável, morre de ataque cardíaco. A primeira atravessada pelo luto e pela devastação e a segunda mortificada pela ausência do único homem de sua vida. No seminário 23 Lacan afirma que “uma mulher é para todo homem um sinthoma, tudo o que agradará..., uma devastação mesmo”, uma dor sem limites e inclassificável. A mulher perde ao perder o amor do homem. A mulher se entrega ao amor, da mesma forma que constrói seu projeto de vida.
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  • Transferência em Psicanálise e Amor – Um Antídoto

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    ‘Falar com o Corpo’, e articular esse tema com “O Real do Corpo na Psicanálise e na Ciência” foi o que me moveu a escrever esse artigo. Partindo deste ponto, quis articular com a Transferência. Como pensar um corpo, e esse aqui nesse ponto é o da psicanálise que me interessa, com o fenômeno transferencial? Confesso que na brincadeira de palavras até chegar onde pensei serem possíveis, as palavras anticorpo, antídoto e antígeno me vieram. E vamos lá aonde elas vão me levar. A análise começa por amor. Dão-se palavras, aquelas mais íntimas que não entregaríamos para ninguém, somente se está posto algo mais e esse algo mais é o amor de transferência. A palavra é o catalisador desse amor sem contato íntimo. O analista tem então da parte do analisando que chega ao consultório, as suas palavras e este lhe pede alguma coisa.
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  • O Amor Natural – poemas eróticos de Drummond

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    O que teria feito Carlos Drummond de Andrade separar do corpo de sua obra seus poemas eróticos, só lhes permitindo a publicação póstuma? Recato? Repressão? Vergonha de rapaz itabirano? Mas seria mesmo envergonhado esse poeta tímido que, assim pelas entrelinhas, com aquele jeitinho manso, mineiramente, já se havia revelado íntimo dos segredos de Eros em tantos outros poemas distribuídos pelos muitos livros que produziu? Que motivos teve Drummond para engavetar por tantos anos os poemas de O Amor Natural? É curioso tal ocultamento quando se observa, por exemplo, que, em pleno Século XVI, Camões dedicou todo um Canto de Os Lusíadas à tematização do amor e do erotismo. Mais estranheza causa ainda esse ocultamento pelo fato de nos depararmos com poemas de amor eivados de erotismo em quase todos os livros que publicou. Já em Alguma Poesia (1), seu livro de estreia, o poeta exalta o sabor do amor físico, colocado no mesmo plano que o divino, ao comparar com rezas os suspiros dos amantes.
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  • A violência em São Luís do Maranhão: fenômeno do urbano

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    O presente ensaio trás para discussão um tema que sempre está presente nas falas dos citadinos de São Luís. Seja nas rápidas conversas que surgem durante o dia-a-dia, nos redutos familiares de fim de tarde, nas instituições de planejamento e, sobretudo, nos roteiros dos telejornais. Trato da violência urbana, um fenômeno que a cada dia vem alcançando grandes proporções, promovendo a indústria do medo e alterando a rotina, não apenas dos ludovicenses, mas que buscam a qualquer preço alcançar o refúgio. Buscou-se investigar as organizações criminosas presentes na capital maranhense por meio de vídeos publicados em redes sociais. O tema tem por objetivo aguçar o desejo de investigar os fenômenos ocorridos na contemporaneidade, à realidade da cidade em que fazemos parte, especificamente as facções criminosas que protagonizam diversos conflitos nos bairros da capital maranhense.
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  • “Comentários e fragmentos do filme “À céu aberto”

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    Começo pensando no subtítulo dessa belíssima película “À céu aberto”, de Mariana Otero acerca do autismo numa Escola de Educação Especial – Le Courtil – onde diz : “cada criança é um enigma”. Temos de considerar que as crianças autistas não nos endereçam seus enigmas e não nos dirigem questões. No entanto é avassaladora a quantidade de questões que nos colocamos quando atendemos na clínica crianças com esse diagnóstico. Hoje é freqüente nas reuniões clínicas das instituições que acolhem crianças autistas, os diversos profissionais se interrogarem sobre o que dizer e o que fazer para se dirigirem a essas crianças sem invadi-las. Esse esforço fica bem claro neste filme, onde a condução dos profissionais
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