Lucélia Sá Pereira[1]


Resumo
Este trabalho tem por objetivo fazer uma reflexão preliminar a partir do campo empírico das redes sociais e no diálogo com a psicanálise sobre a forma como jovens e adolescentes se relacionam com a morte e com o próprio corpo na contemporaneidade, tendo em vista que a realidade virtual nos revela novas configurações para pensar essas questões, e uma delas é a prática cada vez mais comum de automutilação, tentativas de suicídio e suicídio praticado por essa faixa etária. Desse modo, a partir de algumas teorizações e conceitos desenvolvidos por Sigmund Freud e posteriormente por Jacques Lacan, buscamos refletir sobre as experiências compartilhadas por jovens que se autodefinem em espaços virtuais como suicidas”.
Palavras-chave: Suicídio, Redes sociais, Freud.

Suicídio, automutilação, desejo de morte e diversas formas de desestruturação psíquica são problemáticas frequentemente acionadas nas redes sociais, nas quais a partir do diálogo com a psicanálise, principalmente através de conceitos e teorizações de Sigmund Freud e Jacques Lacan, almejamos refletir sobre como essas questões se configuram na contemporaneidade. A tecnologia tem contribuído de forma expressiva na produção das subjetividades no mundo contemporâneo. Acreditamos que a realidade virtual não se apresenta como um espaço paralelo e separado do contexto social, sendo um ambiente cada vez mais procurado não apenas pelo público jovem, mas por indivíduos de diferentes faixas etárias.

Devido à inviabilidade de pesquisar todos os domínios virtuais onde pudesse encontrar suicidas e potenciais suicidas, o estudo é realizado em páginas e grupos suicidas do Facebook[2] pelo fato de ser uma das redes sociais mais acessadas na atualidade e também por ser o único lugar onde foi possível dialogar com os participantes dos grupos. A priori, a faixa etária dos sujeitos da pesquisa não era uma questão pertinente ao trabalho, o fato desses espaços serem povoados por crianças e adolescentes só foi percebido com a participação e interação nos grupos e observação dos perfis pessoais de suicidas.

Além do diálogo e observação estabelecidos nos grupos de potenciais suicidas, também foram observados vários perfis individuais de pessoas que de fato cometeram suicídio, com diversos depoimentos e mensagens deixadas por elas antes de consumar o ato. Contudo, a pesquisa voltou-se mais precisamente para os grupos e comunidades suicidas, espaço virtual onde a morte ainda que não chegue às vias de fato, está presente, sendo constantemente acionada e simbolizada pelos seus membros por intermédio de mensagens, imagens, depoimentos, vídeos e, principalmente, através de automutilações.

Os grupos/comunidades dedicados ao tema do suicídio são compostos majoritariamente por jovens e crianças, nas quais classificamos como potenciais suicidas pelo fato de terem realizados tentativas de suicídio ou planejarem a própria morte. Adotaremos, assim, os termos potenciais suicidas ou suicidas para falar sobre os participantes das comunidades estudadas; a utilização do segundo termo se dá pelo fato de que os próprios sujeitos da pesquisa se autoidentificam como suicidas. Nesse sentido, mesmo quando a morte não é de fato consumada entre esses jovens, ainda sim intervém sensivelmente na maneira como muitos se relacionam entre si e em seu cotidiano comum.

A partir dos discursos e narrativas de suicidas e potenciais suicidas encontradas em perfis pessoais e em grupos suicidas na rede social Facebook, buscamos entender também em que sentido as mudanças nas condições de existência, como o enfraquecimento das leis e preceitos coletivos, fragilidade dos laços sociais (estrutura simbólica) intervém diretamente em repercussões de ordem subjetiva, provocando isolamento social, angustia, mal-estar, depressão e suicídio. Contudo, mesmo que essas diversas modalidades de sofrimento psíquico respondam a aspectos mais gerais da sociedade, é importante identificar a forma como esses sujeitos se colocam no mundo externo, a forma como se implicam subjetivamente frente essas mudanças e se colocam a disposição para ser enlaçado por essa força coletiva. Ou seja, há sempre um comprometimento do sujeito com o desejo inconsciente, que segundo Freud (1996) é indestrutível e não obedece nenhuma regra moral para sua satisfação.

A partir do diálogo com Freud (1996, p. 117), em sua obra O Mal-Estar na Civilização, o autor enfatiza que “a civilização tem que utilizar esforços supremos a fim de estabelecer os limites para pulsões agressivas do homem e manter suas manifestações sob controle formações psíquicas reativas”. Mas, o desejo de morte[3] tão intenso perseguido por jovens e adolescentes em grupos e comunidades suicidas, as inclinações individuais ao suicídio nos revelam que algo sempre escapa a essa regulação. Como podemos perceber em uma mensagem extraída do grupo Pequenos Suicidas (2017): “Quando a morte finalmente chegar, vou abrir um sorriso e dizer, porque você demorou tanto”.

A trajetória de vida desses sujeitos aponta para a fragilidade das pulsões de autopreservação, a morte aparece quase sempre em suas falas como algo confortante e desejável. A maneira como o suicídio é constantemente incitado nesses ambientes virtuais vai de encontro com os ideais de valoração da existência humana promulgados pela cultura ocidental, afinal, aprendemos socialmente que a vida deve ser sempre estimada e valorizada. Pela via do simbólico introjetamos que é da natureza humana lutar pela vida, mas os suicidas nos revelam sentimentos contrários, a repulsa pela existência por considerá-la insuportável. Desse modo, Jacques Lacan (1998) aponta que todo desejo na sua origem comporta algo de recusado pelo sujeito, assim, os impulsos de autodestruição e agressividade contra si próprio são respostas ao mal-estar e às frustrações desencadeados pelo mundo externo considerado hostil.

Na percepção freudiana, os conflitos inerentes ao mundo externo intervêm diretamente em repercussões de ordem subjetiva. Freud (1996) pontua que o ser humano é estruturalmente marcado pela angústia, devido ao fato de existir uma distância imensurável entre o que o indivíduo deseja e aquilo que a civilização exige dele, por isso, a origem da infelicidade humana na civilização estaria atrelada ao conflito entre forças pulsionais e normas culturais, a renúncia regula a vida comum de diversos sujeitos. Nesse sentido, Freud (1996, p.147) enfatiza que,

Não nos sentimos confortáveis na civilização atual, mas é muito difícil formar uma opnião sobre (…) o papel que suas condições culturais desempenham nessa questão (…). A questão fatídica para espécie humana parece-me ser, e até que ponto, seu desenvolvimento cultural consiguirá dominar a perturbação de sua vida comunal causada pela pulsão humana de agressão e autodestruição.

A partir do que Freud coloca, fazendo uma reflexão com o campo da pesquisa, percebe-se o quanto esses espaços virtuais podem demonstrar o caráter ambíguo e contraditório das relações sociais, pois de acordo com Freud (1996) todo ser humano apresenta tendências destrutivas, antissociais e anticulturais, e que essas disposições apresentam grande influência para determinar sua conduta em sociedade.

Em grupos e perfis suicidas, jovens e adolescentes descrevem e reconstroem os conflitos constitutivos de sua existência, apresentando uma forma distinta de se relacionar com a morte, sendo possível identificar suas queixas, frustrações, decepção com relação à existência, suas demandas, suas formas de protesto ao agredir e mutilar o próprio corpo. Desse modo, as redes sociais são locais de representação e encenação da vida cotidiana na atualidade, pois através dos conteúdos extraídos de páginas e perfis suicidas do Facebook é possível entender como a sociedade tem produzido entre seus membros, pensamentos de autodestruição, agressividade, tentativas de suicídio e o ato do suicídio em si.

A autodestruição e agressividade são conceitos que estão associados à ideia da pulsão[4] de morte em Freud, conceito que marca o início da metapsicologia freudiana. A pulsão de morte para Freud é uma força destrutiva considerada como o motor que impulsiona as tendências agressivas ou autopunitivas, que tem como finalidade suprimir a angústia insuportável, na tentativa de reencontrar um estado de paz, um esforço para se livrar de qualquer perturbação e inquietude, almejando um estado de serenidade, caracterizado pela não existência. A agressividade impedida de se manifestar contra o mundo externo hostil se volta para o próprio sujeito, assim, Lacan apud Kaufmann (1996) posteriormente define como pulsão de destruição, na qual o retorno a um estado inanimado deve ser entendido como uma recusa/negação da cultura, como a “dissolução das organizações estabelecidas”. A morte simbólica, ou seja, a pulsão de morte, coloca em cheque a própria humanidade, uma recusa do homem às exigências da cultura. Desse modo, a pulsão de morte é inerente ao homem, ela representa uma luta continua e inexorável que o leva a procura de paz e repouso.

Pensar a pulsão de morte a partir dos relatos de suicidas e potenciais suicidas nos permite questionar o valor da existência na atualidade, pois a vida é apresentada por eles como um tormento, sendo a morte constantemente idealizada e objetificada não apenas em seus discursos, mas em quase todos os conteúdos postados nos grupos suicidas. Essa repulsa e desinteresse pela vida aparecem também nos depoimentos deixados em perfis individuais de pessoas que cometeram suicídio, como podemos identificar no relato: “Primeiramente, nada que ninguém viesse a fazer poderia me tirar esta ideia da cabeça. Esta é minha libertação, não de uma dor temporária, mas de minha eterna insatisfação com este mundo” (FACEBOOK, 2017).

Entre os grupos suicidas encontrados na rede social Facebook, podemos destacar: Vale dos Suicidas, Suicídios, Pequena Suicida, Princesa Suicida, Pulsos Cortados, Sonhos Suicidas, Lágrimas de Sangue, Meu Suicídio, Anjos Suicidas, entre outras. Existe um número bastante expressivo de comunidades do Facebook direcionadas a potenciais suicidas, quase todos os grupos relacionados a esse tipo de conteúdo são nomeados tanto pela palavra suicídio e outro termo que depende do público específico na qual se endereça ou da mensagem que se pretende comunicar.

Os grupos e comunidades suicidas são majoritariamente formados por adolescentes e crianças, sendo essa população a que recentemente mais tem recorrido à tentativa de suicídio e suicídio. A vida social para esses sujeitos desde o início, na mais tenra idade, já se apresenta como indefinida e sem sentido. O suicídio e a vontade de destruição que acompanhamos diariamente entre os participantes dessas páginas virtuais apontam indícios que desde o início da entrada desse sujeito no campo da cultura, a vida coletiva não foi capaz de integrá-lo, de atribuir valor e sentido à vida. O que mais acarreta sofrimento ao suicida de acordo com os relatos não é em si a morte física, essa eles desafiam o tempo todo, mas sobretudo a morte social, o não reconhecimento do outro, é por não conseguir se enquadrar no registro simbólico que o sujeito recorre facilmente ao suicídio.

Em seu texto Luto e melancolia (1917), Freud (1996, p.147) vai nos dizer que:

De há muito, é verdade, sabemos que nenhum neurótico abriga pensamentos de suicídio que não consistam em impulsos assassinos contra outros, que ele volta contra si mesmo, mas jamais fomos capazes de explicar que forças interagem para levar a cabo esse propósito.

Percebe-se com as diversas mensagens de despedida de suicidas observadas que a intenção do sujeito que se mata é quase sempre atingir outra pessoa, o suicida se torna apenas o objeto substituto, que de acordo com Freud (1996), os impulsos autodestrutivos e a necessidade de autopunição revelam sentimentos hostis dirigidos a pessoas queridas. O objetivo na qual dirigem toda a agressividade é, afinal, secundário, como podemos perceber em mensagem extraída de uma comunidade suicida: “a única coisa ruim para um suicida é não poder ver a cara dos que duvidaram dele” (PEQUENOS SUICIDAS, 2017). Corroborando com essa questão, Freud coloca que

A autotortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando (FREUD, 1996, p.147).

Os suicidas na impossibilidade de falar sobre as questões que os atormenta no cotidiano comum, por não conseguirem dar um sentido a sua existência que possa orientar na vida social, procuram em páginas suicidas outros sujeitos na qual possam identificar a si mesmos. Segundo relatos dos membros desses grupos, o desejo de morte e a prática da automutilação antecede à participação nessas páginas. Os cortes aparecem como uma forma de identificar o suicida, uma prática constante entre eles, sendo muito raro encontrar nessas páginas indivíduos que não pratique automutilação.

Os adolescentes e jovens suicidas se voltam para o mundo virtual para estabelecer laços com outros suicidas, pois existe uma necessidade intensa de falar/ expressar através de conteúdos mortíferos, usando um tipo de linguagem que a princípio pode parecer estranha e sem sentido, assim os cortes e as marcas que carregam no corpo são formas de subjetivação que não necessariamente pela via da palavra verbal. Eles inscrevem no próprio corpo as demandas e reivindicações do desejo inconsciente, pois é pela via dos cortes que esses indivíduos se aproximam da sensação de morte, do desejo que lhe escapa, exigindo do sujeito de alguma maneira sua satisfação e preservação. Como descreve um jovem suicida:

E de repente eu preciso daquela dor de novo, para me sentir bem, ver aquele sangue escorrendo pelo meu pulso depois de tanto tempo, é tudo que eu preciso nesse momento. Não importa o tempo que passou, não deixei de ser uma quase suicida.

O inconsciente, segundo Lacan (1998, p.260), “é a parte do discurso concreto, como transindividual que falta à disposição do sujeito para reestabelecer a continuidade de seu discurso consciente”. Há uma tentativa constante entre os suicidas de tentar inscrever através de imagens e cortes uma realidade que ultrapassa o campo da linguagem verbal, a qual a palavra escrita não dá conta de comunicar.

Em mensagem retirada de uma comunidade, podemos destacar o ato de mutilar o próprio corpo como uma prática comum entre os suicidas: “Meu nome é Ellen, tenho 12 anos. Estou no começo de uma depressão, mas ninguém da minha família sabe. Me corto escondida por medo, pq não qro dar mais motivo de decepção e ainda vivo pq amo me torturar, me torturar de todas as formas me faz bem” (PEQUENOS SUICIDAS, pesquisa realizada em fevereiro, 2017). Por isso, Freud (1996) aponta que a autodestruição, uma vez levada às vias de fato, virá sempre atravessada por uma carga implícita de satisfação libidinal.

Imagens, experiências e relatos de suicídio são constantemente compartilhados e perseguidos por jovens e crianças nas redes sociais. Quase todos os membros das comunidades suicidas se cortam, sobretudo nos braços e pernas: meninos se cortam mais na região dos braços e as meninas se mutilam tanto nos braços como nas pernas. Interagem no grupo em discussões sobre cortes e automutilações, fazem enquetes, questionários do tipo “Quando e porque vocês começaram os cortes?”.

Os cortes funcionam como uma forma de obtenção de prazer, a sensação de desprazer aparece pelo fato de ser censurando e reprimido por familiares e amigos, sendo o corpo tomado como fonte de prazer e desprazer. Segundo os participantes dos grupos, a intenção é que ninguém se corte mais, porém eles são tão apegados a essa prática, que postam imagens e vídeos de cortes, anunciam o momento que vão realizar as automutilações, além de publicarem fotos e vídeos deles mesmo se cortando.

Perguntamos as razões para praticarem esse ato, e obtivemos as seguintes respostas na comunidade Pequena suicida (2017):

A dor física alivia a dor da alma;

Eu me sinto carregada, tipo uma bomba quando vai explodir, entende?

Eu me corto às vezes de raiva;

Eu me corto porque alivia minhas dores;

Eu me corto porque alivia, dá uma sensação de que está saindo as dores do motivo;

É tão bom se cortar, alivia muito;

E você chega um ponto de não sentir dor nenhuma;

O problema é que com o tempo os cortes vão ficando mais profundos.

É comum entre os suicidas, também, postarem fotos de facas, lâminas, cordas, medicamentos e outros artefatos que remetem ao suicídio, afirmando que esses objetos são os únicos companheiros nos momentos de aflição e que não conseguem se separar deles, chegando a levá-los para escola e outros ambientes que costumam frequentar. No contexto digital existe possibilidade de romantizar a dor, de idealizar a morte, de transformar imagens e objetos inanimados que perfuram seus corpos em companheiros, enfim, de atribuir novos significados à existência frente às dificuldades de ordem social e subjetiva.

O desejo de morte parece tão intenso que esse sujeito precisa mesmo que parcialmente, de acordo com Lacan (1993), ceder ao desejo, encontrar uma via secundária para alcançar a satisfação. Há uma espécie de deslocamento em relação ao alvo último que seria o suicídio, encontrando assim, ao mutilar o próprio corpo, o objeto secundário mais próximo à sensação de morte. Da mesma forma, Freud em seu texto As Pulsões e as suas Vicissitudes (1915) Freud (1996, p.73) enfatiza que

O objeto da pulsão é a coisa em relação à qual ou através da qual a pulsão é capaz de atingir sua finalidade. É o que há de mais variável na pulsão e, originalmente, não está ligado a ela, só lhe sendo destinado por ser peculiarmente adequado a tornar possível a satisfação. O objeto não é necessariamente algo estranho: poderá igualmente ser uma parte do próprio corpo do indivíduo.

Pensando com Lacan, podemos pontuar que os cortes não são em si o objeto da pulsão, mas apresenta uma relação mínima com o desejo de morte, um objeto substituto pela qual a satisfação exigida pela pulsão pode ser obtida parcialmente. Nessas condições, para Lacan (1993, p.35), “todo desejo é intrinsecamente insatisfeito, já que nunca se realiza plenamente”, somente é possível alcançá-lo através de produções substitutivas.

 

 


REFERÊNCIAS
FREUD, S., Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
__________. Além do princípio do prazer (1920). ESB, Vol. XVIII.
__________. O Mal-estar na civilização (1930). ESB, Vol. XXI.
__________. A história do movimento psicanalítico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos (1914) ESB, Vol.XIV.
__________.Um estudo autobiográfico, Inibições, sintomas e ansiedade (1925). ESB, Vol. XX.
GARCIA ROZA, Luiz Alfredo. O Mal Radical Em Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1990.
KAUFMANN, Pierre. Dicionário Enciclopédico de psicanálise: o legado de Freud e Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.1996.
LACAN, Jacques (1971-1972). Seminário XI. Os Quatro Conceitos da Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.
LACAN, Jacques. Escritos. Tradução Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
MEUS DICIONÁRIOS. Disponível em:< https://www.meusdicionarios.com.br /facebook>. Acesso em: abril de 2017.

[1] Bacharel e licenciada em Ciências Sociais (UFMA) e estudante de Psicanálise (APD-MA)
2] O Facebook, fundado em 2004, é uma das maiores redes sociais na atualidade, tanto em questão de número de usuários, quanto de acesso. É uma rede social gratuita que conecta pessoas de diversas partes do mundo e, devido ao seu alto alcance, que além do perfil individual de cada membro, há páginas e grupos de discussão para os mais variados assuntos. Nessa rede social os usuários criam os seus perfis pessoais, com fotos e lista de interesses pessoais, utilizando os mesmos para trocar mensagens públicas e privadas entre parentes, amigos (virtual ou não) e também com pessoas fora do seu ciclo de amizade. Os grupos ou comunidades do Facebook funcionam de forma um pouco diferente do perfil individual, pois são locais de fluxo mais constante e agrupam pessoas com os mesmos interesses, gosto ou finalidades, mas que não impede que outros que não compartilhem dos mesmos ideais tenha acesso à página.
[3]A noção de desejo pelo viés da Psicanálise nesse caso é mais adequada na compreensão do comportamento autodestrutivo. Freud não trabalha com a noção de desejo, referindo-se principalmente a noção de “desejos”. É Lacan (1998) que aciona o conceito de desejo para tratar do inconsciente e sua relação com a linguagem, de acordo com esse autor o sujeito é em primeiro lugar um objeto afetado pelo desejo, é determinado pelo Outro, a cultura, ou seja, pelos significantes da linguagem. Segundo Lacan, o que provoca o desejo é justamente essa falta de objeto, na medida em que não temos um objeto adequado todo desejo é desejo que advém do Outro. (Lacan, 1998).
[4] Garcia-Roza (1990) indica que a pulsão ocupa um outro lugar, situado além da ordem e da lei, além do inconsciente e da rede de significantes, além do princípio de prazer e do princípio de realidade, além da linguagem: é o lugar do acaso.