Podemos definir o masoquismo como a procura do prazer através da dor[ii]. Essa dor pode ser psicológica (humilhação, sofrimento, dominação) ou dor física (espancamento, ser amarrado, etc). É uma posição subjetiva muito mais comum e frequente do que podemos imaginar e está presente nos sujeitos ditos normais, em graus variados. O masoquismo paradoxalmente está presente em toda patologia psíquica – exceto nos casos extremos de sujeitos psicopatas e psicossomáticos – e desafiou, no início, a noção freudiana do princípio do prazer que regeria nossos processos psíquicos. Este artigo quer apresentar sucintamente a origem do masoquismo, suas implicações na formação do ser, suas manifestações na vida amorosa e sexual e também na vida social-moral-cultural. Essa posição subjetiva pode atrapalhar a pessoa e seus parceiros mas tem também lados positivos porque, por via da culpa, cria laços sociais em contraposição ao sadismo.

A palavra masoquismo provém do sobrenome do autor Polonês-Austríaco Leopold von Sacher-Masoch[iii] que descreveu suas fantasias e sua vida erótica no livro “A Vênus das Peles” (1870). Neste livro, Masoch declara: “ Encontro uma estranha atração na dor, e nada pode atiçar minha paixão mais que a tirania, a crueldade e sobretudo a infidelidade de uma bela mulher.

O termo masoquismo foi cunhado por Richard von Krafft-Ebing[iv] na sua enciclopédia “científica” de perversões, chamada “Psycopathia Sexualis” (1886). Ele descreveu e usou junto com Henry Havelock Ellis[v] e com Isidor Sadger[vi] o termo sadomasoquismo. O termo foi retomado por Freud e, em sua visão, os termos “sadismo” e “masoquismo” são contrários e complementares.

Freud escreve:

                     “A pessoa que, dentro das relações sexuais, tem prazer em infligir dor é

também capaz de gozar essa dor; um sádico é sempre ao mesmo

tempo um masoquista, fato que não impede que o lado ativo ou o

lado passivo da perversão possa prevalecer e caracterizar a atividade

sexual predominante ” [vii]

Esse jogo complementar é devido às vicissitudes das pulsões sexuais, noção em relação à qual o próprio Freud se questionava sempre. Tal jogo reflete a primeira elaboração teórica sobre o assunto que Freud fez durante a primeira tópica. Essa concepção se baseia num sadismo originário ativo que poderia sofrer uma inversão contra o próprio sujeito, então o masoquismo é secundário.

Freud confessa entretanto, mais tarde, ser “muito raro que as torturas masoquistas produzam tantas impressões ou impactos de seriedade e de crueldade quanto a crueldade, fantasiada ou realizada, do sádico”[viii]. Depois dos textos “Bate- se numa criança” (1919) e “Mais além do princípio do prazer” (1920), Freud declara que o masoquismo pode ser primário, concepção que vai até os psicanalistas recentes como Jean Laplanche. Para Freud[ix] não podemos ter a teoria do masoquismo sem a noção da pulsão de morte, pretensão que gerou muitas controvérsias, sobretudo causadas por Wilhelm Reich[x]. Hoje em dia a quase totalidade da comunidade analítica concorda que o masoquismo se forma quando a libido investe a pulsão de morte, para torná-la inofensiva, e esta parte da pulsão de morte retorna ao sujeito.

Em outros termos, a pulsão de morte encontra a libido no sujeito e neste encontro se formam as disposições de agressão-destruição ativas que se dirigem, seja para o objeto externo (sadismo originário), seja para o próprio sujeito (masoquismo primário).

Pelo que sabemos, Jacques Lacan não elaborou uma teoria sobre o masoquismo – mas parece que ele pressupõe a existência de um masoquismo primário quando ele estabelece um elo entre sofrimento e gozo. Também essa pressuposição se dá quando Lacan pretende que na análise o analisando quer amenizar o sofrimento do sintoma mas não quer perder o gozo que dele provém.

Para Freud[xi] existem três masoquismos distintos:

  1. o masoquismo erógeno, uma forma de excitação sexual;
  2. o masoquismo feminino, de essência feminina, ligado ao funcionamento psicológico da mulher, ou seja, de um homem que virou feminino porque foi simbolicamente castrado. Essas fantasias conheceram uma elaboração rica, mas descobriu-se que tais fantasias colocam a pessoa numa posição característica da feminilidade e, por consequência, significam que essas pessoas são castradas, recebem o coito e parem;
  3. o masoquismo moral: o homem vive o masoquismo dentro da vida ordinária e esta posição é ligada ao sentimento inconsciente de culpa. Trata-se da pessoa que na vida cotidiana oferece sempre a outra face quando tem a perspectiva de receber um tapa.

Os discípulos de Freud analisaram bastante o fenômeno do masoquismo. Sacha Nacht, no seu primeiro livro sobre o masoquismo em 1938[xii], dá um panorama histórico e menciona que o Rei Salomão deixava que suas mulheres o picassem para excitar sua virilidade. Ele continua: “dentre as oferendas das cortesãs a Vênus nos tempos antigos, havia chicotes e esporões. Em quase todas as culturas que eu conheço, amor e dor-sofrimento são muito ligados como se nós aprendêssemos a amar através da dor..”

O psicanalista Benno Rosenberg[xiii] (2003) insiste que tem dois masoquismos: o mortífero (capaz de empurrar a pessoa até a dissolução psíquica) e o guardião da vida que nos permite continuar a suportar os sofrimentos e as misérias da vida.

O que o pai da psicanálise chama de masoquismo erógeno? Segundo Freud[xiv] “o prazer da dor”, um “modo da excitação sexual”, acompanha o sujeito no seu desenvolvimento psicossexual. A organização oral seria a fonte de uma angústia de ser devorado pelo animal totêmico, o pai, e seria o estádio de fixação do masoquista psicótico. A fase sádico-anal engendra o desejo de ser espancado pelo pai e seria o estádio de fixação do masoquista perverso. O estádio fálico de Freud introduz a fantasia da castração e é o domínio do masoquista neurótico. O estádio genital provocaria a consolidação da identidade sexual e a dessexualização das forças masoquistas ou sádicas. Segundo Theodor Reik[xv] o masoquismo é uma tendência instintiva comum enquanto possibilidade e realização na espécie humana. Ele só se torna patológico quando ultrapassa certos limites e adota uma natureza que exclua quase todas as outras vias do instinto. É o que chamamos comumente de masoquismo perverso. Neste caso, o sujeito está sempre ciente de seu estado. O masoquismo chamado erógeno é a fonte de todo o masoquismo posterior. A propósito, a vida amorosa de Jean Jacques Rousseau forneceu um belo caso de estudo para vários autores.

No geral, a fantasia masoquista se forma na fase pré-edipiana. Se a fixação é grave o bastante, a fantasia vai se realizar sob a pressão libidinal na idade adulta, como a única via de uma sexualidade perversa. Se o Édipo tiver sido abordado com esta carga excessiva, a fantasia vai ficar contida sob a pressão do supereu, formando sintomas eventuais de tipo neurótico e de conteúdo masoquista. Em outros termos, o masoquismo é ligado também a um desejo incestuoso proibido, a uma culpa edipiana. O masoquismo pode ser considerado também como uma fantasia pré-edipiana de insuficiência fálica do sujeito, acompanhada de uma dor erotizada e enraizada num dos registros de falta que Lacan descreveu: a privação, a frustração ou a castração.

No que concerne ao pressuposto masoquismo feminino, sabemos desde 1938 do livro de S. Nacht que as civilizações de tipo masculino impuseram à mulher uma situação de passividade, submissão, dependência. Um pouco mais tarde, T. Reik em 1941 diz que “a educação em nossos meios culturais favorece um masoquismo leve da mulher. A situação biológica da mulher, como a menstruação, defloração, maternidade, a predispõe ao masoquismo”. Essa última tese foi atacada. Reik entretanto escreve também: “o sofrimento, o desejo de ser amarrada, de apanhar, de ser humilhada, não faz parte da sexualidade normal da mulher. A questão de saber se a mulher é mais ou menos masoquista que o homem pode ser decidida rapidamente. Nesse sentido (da perversão), a mulher é certamente menos masoquista”. Jacques Lacan no Seminario 11 diz que “o masoquismo feminino é uma fantasia masculina”. Mas se a questão do masoquismo feminino foi lançada com muitas dúvidas por Freud, foram com efeito Marie Bonaparte[xvi] em 1928 e Helene Deutch[xvii] em 1943, seguindo caminhos diferentes, que escreveram sobre o masoquismo constituinte da feminilidade, chancelando, dentro de um determinado contexto histórico, a duvidosa fantasia masculina. Que ironia da história!

Segundo Eric Laurent[xviii] , haveria variados nomes das posições subjetivas femininas que “giram em torno de levar em conta uma relação especial com um gozo que não tem mais a medida fálica” Esse analista lacaniano escreve : “os meninos fabricam o ser ao serem ameaçados de perder o que eles têm: a castração sobre o sexo masculino, produz a ameaça. Eles não a afrontam totalmente, jamais, mas é um tipo de luta Hegeliana do Senhor e do Escravo…. Por outro lado, há o ser feminino: a castração aí não pode mais ser uma ameaça, visto que já foi efetuada. Então a mulher não teme nada, e, se ela faz seu ser é se livrando do seu ter…Lacan, depois denunciou a ilusão masoquista como uma ilusão biológica…..”E Laurent continua: “que a conexão da mulher e da dor tinha seus fundamentos, nós vimos com Helene Deutch, nos pressupostos darwinianos de um instinto, de uma adaptação à sua condição biológica. Se as mulheres consentiram em algum momento com a fantasia do homem em posições subjetivas nas quais a dor e a humilhação estão ligadas, é que elas se encontram ao abrigo da ameaça de castração, e é por isso que elas podem ir mais longe que os homens nos caminhos da dedicação e do amor…”

Em respeito ao masoquismo masculino, na literatura analítica, não falamos mais das dificuldades de ereção e de ejaculação, descritas claramente desde 1965 por Sacha Nacht[xix] deixando assim estes temas para os sexólogos (sic!) e para a indústria farmacêutica. Às vezes, apesar de práticas perversas, os homens tornam−se impotentes por causa de uma inibição grave. O masoquismo moral – que vamos apresentar em seguida – corresponde também a algumas formas de impotência, uma dificuldade (não é considerada sintoma no sentido psicanalítico) que provém diretamente do Édipo e de um supereu inibidor e punitivo. Essa dificuldade, presente em muitas neuroses, pode ser enraizada nos conflitos seguintes: 1. O menino exprime uma agressividade violenta contra o pai diante dos desejos incestuosos inconscientes. Assustado por essas tendências agressivas, volta-as contra ele mesmo, transformando-as em masoquismo. O menino adota uma atitude apagada, passiva em relação ao pai, para poder manter o amor dele. Ao mesmo tempo o filho retira da sua virilidade genital o aporte energético fornecido pelas forças agressivas. 2. Uma outra forma de impotência resultaria do homem que, assustado pela castração e para escapar desta, adota uma atitude emasculada. A inibição engendra a impotência. Neste caso observamos o mecanismo típico do masoquista moral : o sujeito inflige a si mesmo um sofrimento, uma punição, para se antecipar aquela que pode hipoteticamente vir do mundo exterior (se fingir de morto para não ser morto). 3. Na terceira forma, a agressividade responsável pela impotência seria orientada contra a mulher. A estrutura complexa dessa forma de dificuldade se refere à relação pregenital frustrante entre mãe-filho. Essa forma parece uma vingança contra a mulher.

E o masoquismo moral ou social? Ele se manifesta nos sujeitos, principalmente neuróticos, que ignoram no mais das vezes que eles são masoquistas. “Eles se colocam na posição de sofrer o mal-estar na vida ordinária, mas ignoram completamente as razões de seu comportamento…. O masoquista social é o fracassado crônico… Ele pode ter sucesso na vida social, à condição que ele fracasse na vida amorosa, ou vice-versa….. Essas pessoas não se perdoam por ter sucesso”[xx]. Tudo se passa como se essas pessoas fossem seus próprios piores inimigos. No que eles fazem e no que eles evitam, eles conseguem estragar seu prazer e sua vida profissional, se negando um bem-estar merecido e, nos casos extremos, pondo em risco até mesmo sua vida. Se trata do que Freud e a primeira geração de psicanalistas chamava de neurose de fracasso ou neurose de destino. Em termos mais contemporâneos o masoquismo moral se resume na capacidade surpreendente dos sujeitos de se acostumar mais facilmente com os acontecimentos negativos da vida do que de suportar a alegria.

Outra manifestação comum do masoquismo moral é durante o período de resistência, nos tratamentos psicanalíticos. Para os analistas de orientação lacaniana, a resistência provém do analista; uma posição que não é unânime na comunidade psicanalítica.

A maior manifestação do masoquismo moral ou social se acha no domínio das religiões, onde só o sofrimento faz a vida suportável e abre as portas do céu, onde o sofrimento é a punição divina por um pecado cometido, onde a dor educa (parábola de Jó). T. Reik escrevia que “nenhum psicólogo ou psicanalista já conseguiu dar uma descrição das qualidades específicas da experiência masoquista, comparadas aos êxtases de ascetas e santos da Idade Média… Os escritos de Santa Teresa d’ Avila, as cartas de Catarina de Siena, são mais importantes para a elucidação psicológica do masoquismo que a leitura de Kraft-Ebing”. Mais tarde Jacques Lacan escreveu sobre santa Teresa d´Avila.

Agora, nós podemos nos perguntar : na realidade, depois de todos esses anos de pesquisa, existe essa unidade conceitual a respeito do sadomasoquismo? Para o filósofo Gilles Deleuze[xxi], o termo sadomasoquismo é “um monstro semiológico” no sentido que o sádico (o sujeito que faz o outro sofrer, nas obras do Marquês de Sade) não é uma pessoa que poderia fazer parte do universo mental do masoquista na obra de Leopold von Sacher-Masoch. O sádico, na obra de Sade, sente prazer resultante do sofrimento do outro, à condição que esse sofrimento não seja contratual e além disso, goza ainda mais se a vítima não der seu consentimento — enquanto que o masoquista, nas obras de Sacher-Masoch, gosta de regulamentar em seus contratos as modalidades variadas da sua submissão. Desse fato, para o filósofo, sadismo e masoquismo são dois universos diferentes, que não podem ser nem contrários perfeitos nem complementares perfeitos. O sadismo é um universo de crimes, e assim exterior ao campo do consentimento; o masoquismo é o universo do contrato, onde tudo é aceito pelo sujeito que vai educar seu carrasco. Lá onde “o sádico procura uma possessão instituída, o masoquista quer estabelecer uma aliança contratada. E no caso de encontro desses dois, cada um deles foge ou perece”.

No nosso modo de ver os universos dos livros de Sacher-Masoch e de Marquês de Sade são completamente diferentes. Em “A Vênus das Peles” há muito pouca ação, existe uma tensão insuportável, um sofoco, uma atmosfera refinada e hipersensual cheia de referências artísticas e estéticas. Lá, o carrasco é uma figura do poder materno fálico. Os livros de Sade, como “120 dias de Sodoma”, “Justine – os infortúnios da virtude”, “Juliette – as prosperidades do vício”, são cheios de ação, de peripécias, muita crueldade, muita agressão, descrições pornográficas, material aversivo, e o carrasco é sempre uma figura que nos remete ao poder paterno.

Jacques Lacan, em “A Lógica da Fantasia”, escreveu a propósito do texto de G. Deleuze, que incontestavelmente é o melhor texto já escrito sobre esse assunto.Em seu seminário X Lacan pensa que o que visa o masoquista é provocar a ansiedade do Outro. O masoquista não se projeta de jeito nenhum no sádico, do qual ele quer, ao contrário, a capitulação, ao tocar seu ponto de angústia.

Para o filósofo francês Michel Foucault[xxii] , o universo masoquista e sádico apresenta a erotização do poder, a erotização dos relacionamentos estratégicos como uma fonte de prazer físico. O universo sádico e masoquista não consiste tanto na sexualização do sofrimento e da violência.

Em conclusão, podemos pensar que atualmente o masoquismo não é considerado apenas uma “monstruosidade”, como antigamente, mas também contém uma vertente estruturante para a vida psíquica, sendo um guardião da vida.

O masoquismo por via da culpa cria laços sociais porque ele é sempre uma tentativa de formação de um contrato que regulamenta a dor – oposto ao sadismo que é uma forma de dissolução social. O masoquismo tenta incluir o Outro; o sadismo não. Por isso a legislação alcança facilmente os casos dos sádicos, mas dificilmente alcançará os casos de masoquistas. Atualmente somente a Inglaterra tem lei para punir o masoquismo extremo.

Terminando este escrito, podemos nos perguntar sobre a conexão do masoquismo com as chamadas Modificações Extremas do Corpo (M.E.C.), fenômeno que aparece inclusive na arte contemporânea. As M.E.C. incluem inúmeros piercings, implantes de metal debaixo da pele, introdução de solução salina no corpo, buracos nas bochechas, tinta no branco do olho, cortes no nariz e na língua, modificações dos dentes. Parece que esse delírio inscrito no corpo seria a manifestação de um masoquismo psicótico, dentre outras possibilidades, na sociedade hipermoderna.

Petros Stasinos[i] 

 


 

[i] Petros Stasinos, psicólogo, Universidade Paris V, Mestre em Psicologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales.
Agradecimentos sinceros à psicanalista e professora Thais Moraes pelos conselhos, e a José Lucíolo Santos pela ajuda com a língua escrita.
[ii] Lembramos apenas que a conexão prazer e dor tem um substrato somático-fisiológico desde o início da vida humana que passa pelas endorfinas. Endorfina é um neurotransmissor composto de neuropeptídeos opioides, produzido pelo sistema nervoso central e a hipófise. A função principal das endorfinas é a inibição da transmissão de sinais de dor, e provoca uma sensação de euforia. A liberação no sangue sobrevém depois de dores, do exercício físico e do orgasmo. Não é a meta deste artigo se aprofundar neste assunto.
[iii] L. von Sacher-Masoch: historiador e escritor polonês-austríaco, 1836-1895 .
“A Vênus das Peles” é um romance erótico publicado em 1870, autobiografia romanceada do autor. Essa autobiografia é basicamente a realização da fantasia de
humilhação/dominação do escritor e seu contrato com suas parceiras. Na vida real, também, Sacher-Masoch manipulou e levou aos extremos sua mulher Wanda.
[iv] O barão austro-húngaro R. von Kraft-Ebing, 1840-1902, foi psicólogo, psiquiatra, professor universitário em Viena. Ele popularizou os termos masoquismo e sadismo, a partir das obras de Macosch e de Marquês de Sade, em seu estudo clínico – forense sobre as perversões chamado “Psycopathia Sexualis” (1886). É evidente que Kraft-Ebing jogou, sem querer, as obras de Masoch e de de Sade no esquecimento, obras que foram reavaliadas no século seguinte, principalmente por J.P. Sartre e R. Barthes.
[v] H. H. Ellis, 1859-1939, medico e escritor inglês que estudou a sexualidade humana e mais tarde adotou a psicanálise; introduziu as noções de narcisismo e autoerotismo, tomadas mais tarde por Freud.
[vi] I. Sadger, 1867-1942, médico forense e psicanalista, aluno de Freud.
[vii] S. Freud, “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”, 1905, versão definitiva 1924, Paris , PUF.
[viii] S. Freud, “Névrose, Psychose et Perversion” artigos de 1894 até 1924, ed.
P.U.F., Paris.
[ix] S. Freud, “O problema econômico do masoquismo”, artigo 1924, ed.PUF, Paris.
[x] W. Reich (1897-1957) médico, psicanalista, aluno de Freud, participante da Associação Psicanalítica de Viena de Freud e do Vienna Ambulatorium. Ele imigrou para os EEUU. Personalidade altamente controversa e influente. Para Reich o masoquismo é apenas uma simples defesa contra a angústia de castração.
[xi] Idem viii.
[xii] S. Nacht, “O masoquismo: estudo histórico, clínico, psicogênico e terapêutico”, editora Denoel, 1938, Paris. Sacha Nacht, 1901-1977, psiquiatra, psicanalista francês de origem romena reconhecido por seu talento clínico. Presidente da Sociedade Psicanalítica de Paris a partir de 1949, vice-presidente da Sociedade Internacional de Psicanálise 1957-1969. Ele especialmente estudou a importância da agressividade em suas manifestações psicopatológicas. Ele demonstrou como as mesmas forças instintuais transformadas, transmutadas se tornam benéficas. Amigo íntimo de Lacan, este foi testemunha do segundo casamento daquele.
[xiii] B. Rosenberg, “Masoquismo Mortífero e Masoquismo Guardião da Vida”, ed. Escuta, 2003, São Paulo.
[xiv] Idem viii.
[xv] T. Reik, 1888-1969, psicólogo, psicanalista, um dos primeiros discípulos de Freud, analisado por Karl Abraham. Em 1938 ele imigrou para N.Y. e introduziu a psicanálise nos Estados Unidos. Um dos primeiros a apoiar, com a concordância de Freud, a “lay analysis”, a analise praticada por profissionais fora da medicina. Livro: “Masochism in modern man”, 1941, Farrar-Strauss, New York.
[xvi] Princesa Marie Bonaparte, “Passivité, Masochisme et Feminité, R.F.P., 1928. “Um grão de masoquismo é necessario para a evolução sexual da feminilidade”.
[xvii] H. Deutsch, (1884-1982) psiquiatra, psicanalista americana de origem austriaco-polonesa, aluna e colega de Freud, imigrou para os EEUU em 1935 e escreveu sobretudo a respeito da sexualidade e vida feminina, Livros: “Psychology of Women vol.1 1943, vol.2 1945, Grune-Stratton, New York.
[xviii] E. Laurent, artigo “Posição Feminina do Ser”, 1993.
[xix]S. Nacht, “Le Masochisme”, terceira edição revisada do livro indicado acima, 1965, Payot, Paris.
[xx] Idem xx.
[xxi] G. Deleuze, filósofo francês, 1925-1995, “Apresentação de Sacher-Masoch, O Frio e O Cruel”, em françês, ed. Les Editions de Minuit, 1967, Paris.
[xxii] M. Foucault, 1926-1984, “Dits et écrits, 1954-1988, ed. Gallimard, 1994, Paris, 4 v.