Lançar uma revista no mundo digital hoje é um desafio bem instigante e que está inserido dentro da lógica da contemporaneidade que visa levar o saber da Psicanálise usando todas as mídias  inaugurando assim novas formas de transmissão de um saber que não cansa de se inscrever na cultura do terceiro milênio. O que está em jogo é passar adiante um saber que bordeje o lugar e posição que ocupa o analista no mundo contemporâneo, sob diversos ângulos. Esse primeiro número de uma série, é a marca de um longo uma percurso da delegação geral Maranhão que está aderida à EBP desde seu início. A função desta revista é a de levar Psicanálise a mares mais distantes, produzidos por aqueles que moram na Ilha de São Luís, mas que habitam o País da Psicanálise. Quando a causa já está em função, o movimento que ela dispara não permite titubear, sob o risco de ver abortado um desejo que se precipita. Houveram momentos assim, quando questões burocráticas quase nos levaram a desistir deste projeto. Mas não, seguimos o que Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas aconselhou: “Comece do começo, siga até o fim, e então, pare”.

Quando pensamos no nome da revista fizemos uma votação entre os participantes da DG/MA e o título mais votado foi ITERAÇÃO, que significa segundo Eric Laurent: “Abordar a prática da psicanálise, a partir da dimensão da não garantia em sua dimensão radical, nos leva a considerar o que da substância gozante não se articula nem no circuito pulsional, nem no aparelho da fantasia. É isso o que, do gozo, permanece não negativizável e não se comporta mais como uma quase letra em sua iteração. É assim que se pode abordar o que seria a consistência do real na experiência da psicanálise. Para o real, o importante é que o mesmo seja o mesmo materialmente, “a noção de matéria é fundamental pelo fato de ela fundar o mesmo”[2]. A “desmontagem da defesa” é uma desmontagem não apenas do ídolo engajado no lugar da falta fálica, mas também do circuito do objeto para encontrar a borda de gozo cingida por esses circuitos. Em torno dessa borda, as consistências se enlaçam. “Tenho de me haver com o mesmo material que todo mundo, com esse material que nos habita”[3]. Material é tomado no sentido do real do gozo. Lacan propõe, aqui, uma outra versão de um inconsciente que não é feito dos efeitos de significante sobre um corpo imaginário, mas um inconsciente que inclui a instância do real que é a pura repetição do mesmo, o que J.-A. Miller, em seu último curso, isolou na dimensão do Um – sozinho que se repete. Esta é verdadeiramente a zona fora do sentido e fora da garantia”.

A nossa revista está em tempo de nascedouro, de constituição e ela se dirige a todos aqueles que estão atravessados pela Psicanálise de Orientação Lacaniana, ou com qualquer área do saber que possa conosco dialogar. Este número inaugural será composto de três sessões. Na primeira sessão, temos uma entrevista com Fernando Coutinho Barros, membro da AMP e da EBP e conselheiro da Delegação Geral Maranhão pelos próximos dois anos. Na segunda sessão, teremos uma série de sete artigos escritos por participantes da DG/MA; e na última sessão teremos um comentário de filme, assim como um texto que articula Psicanálise e Literatura. Se esperamos transnmitir algo com essas produções sob conta e risco de cada um é para multiplicar diversificando e avançando de acordo com  o percurso singular dos que gentilmente se debruçaram nesse projeto e acreditaram que seria possível chegar ao seu final.

Diante da desorientação global, o que se espera do analista hoje é o tratamento de Orientação Lacaniana através das diversas iniciativas da Psicanálise. Para esse homem desbussolado a Psicanálise oferece respostas singulares no caso a caso para diminuir os efeitos mortíferos do gozo excessivo que caracteriza a nossa época para que o sujeito possa atingir o UM do gozo opaco que o situa no mundo real e no cyber espaço.

Agradecemos a todos que nos enviaram seus trabalhos e desejamos boa leitura a aqueles que serão nossos leitores e  a que dirigimos uma especial estima. Para construir algo devemos agir como maestros em sua desconstrução. E foi esse o caminho trilhado por aqueles que apostaram na revista digital Iteração.

Thaïs Moraes Correia