Uma revista é para dizer coisas. E também  apostamos que a revista digital da delegação Maranhão  faz parte de uma ação lacaniana. Por ação lacaniana entendemos que sejam aquelas atividades  que rompem as paredes dos consultórios e alcançam a exterioridade dentro da cidade. Podemos então afirmar que uma revista digital que  se itera há quatro edições faz parte da ação lacaniana que se dirige à causa analítica endereçada à Escola Brasileira de Psicanálise, que está em conexão  com AMP. Queremos agradecer a todos os autores, escritores, colaboradores e em especial à nossa entrevistada dessa edição, a psicanalista Sonia Vicente, membro da EBP e da AMP -que mesmo estando na Argentina para o ENAPOL, não deixou de responder às nossas perguntas. A Bruno Senna, agradecemos pela diagramação sempre tão bonita da nossa revista.

Dessa chuva de falas que cai sobre nós e que consistem nos artigos publicados em Iteração, podemos enfatizar que retratam o atual momento de renovação da Delegação Maranhão, que após algumas  cisões  recebe novos participantes que estão conosco a partilhar deste momento de mudança que consiste em  elaborar novas saídas, inventando novos caminhos a serem percorridos, com entusiasmo e dedicação. A própria unidade do nosso corpo de textos é baseada na diversidade de pontos de vista e a singularidade da escrita é posta logo de saída como marca deste quarto número de Iteração.  Continuar com esse projeto, é da ordem de uma fabricação, as vezes nos moldes de uma colagem surrealista, que nos faz lembrar a arte da bricolagem e tem como resultado  um efeito que nos incita à leitura. Essa revista nos mostra como nos sustentamos exatamente dessas “peças avulsas”, simultaneamente pedaços de gozo e  de linguagem. Cada artigo dessa edição evoca o que chamamos de inserção do analista  e do não–analista na esfera social, onde se interrogará acerca da questão do amor no gênero feminino, onde se abordará  sobre os corpos tatuados na contemporaneidade, sobre os amores patológicos que surgem numa sociedade líquida, bem como trazem o questionamento sobre a possiblidade ou não de haver uma escrita feminina. Destacamos artigos com temas muito caros à Psicanálise de Orientação lacaniana, que consistem em se acercar do conceito de Psicose, entrelaçando – o com a  mania e melancolia, sobre a questão do Outro no encarceramento da loucura, sobre a clínica estrutural que passa à clínica do real,  sobre os avatares, dificuldades e prazeres presentes no envelhecimento, bem como da posição do analista na cidade.  Com essa multiplicidade de temas que tocam questões relativas à nossa pratica que precisa ser  continuamente  teorizada, esperamos  que esses textos dialoguem com nosso leitor no mundo digital, que está avido por boas leituras num universo virtual onde pululam invencionices. Enquanto 600 milhões se comunicam atualmente pelo WhatsApp, vamos apostar que a ida a um site para ler uma revista é algo que nos ultrapassa como uma aposta renovada no desejo de transmissão da Psicanálise de Orientação Lacaniana.

Muitos perguntam sobre o título de nossa revista. Iteração é um substantivo feminino que remete ao ato de iterar, repetir. É algum processo de resolução de uma equação mediante operações em que sucessivamente o objeto de cada uma é o resultado da que a precede. Na Psicanálise iteração nos impele à escrita. E é por isso que aqui estamos uma vez mais, colocando em pratica o funcionamento de Iteração, na programação de uma ou mais ações que formam esta revista digital, onde cada repetição possui uma ou mais iterações.  Na matemática o termo define uma técnica utilizada em análise numérica para se chegar a resultados de problemas numéricos para se chegar a resultados de problemas complexos de serem resolvidos pelo método algébrico. Escrever sobre psicanalise é também uma forma de sair do mitema freudiano e bordejar o matema lacaniano.

Acima de tudo uma revista de Psicanálise é um local de conversação, e assim sendo torna-se ponto de apoio seguro para a ação lacaniana. Essa ação lacaniana torna a Escola mais accessível em um momento em que o debate sobre a realidade que nos cerca é mais atual do que nunca.

Que essa revista esteja ao lado de uma boa invenção e possa servir como um mapa para percorrer nossas atuais questões, errancias e gozo. Eis para que serve uma revista: para dizer coisas.

São Luiz, outubro de 2017

 

Thaïs Moraes Correia – thais@elointernet.com.br