REVISTA DIGITAL ITERAÇÃO DA DELEGAÇÃO GERAL–MA

*Thaïs Moraes Correia
thais@elointernet.com.br

O segundo número da revista já está no ar! Assim como “love is in the air”, sob a forma de um novo amor, uma escrita também perpassa pelo investimento libidinal de cada um que se coloca a escrever para uma revista digital que segue a Psicanálise de Orientação lacaniana da EBP. A política de ação da EBP é a de transmitir, a quem possa ouvir os ecos de uma Psicanálise – que tem incidência real desde os passes dos analistas (AEs) que são expostos a toda comunidade de analistas e não-analistas – assim como todas as publicações que surgem aos borbotões sob a égide de transferência de trabalho à AMP e à causa analítica em todas as mídias possíveis. Publicar uma revista é apostar na via da Psicanálise na cidade, para além das quatro paredes de um consultório onde aqueles que passam pela experiência analítica são tocados de forma indelével e convocados a encontrar assim, seu estilo e forma de escrita singulares. Isto só se aprende fazendo, reiterando, colocando em pratica o funcionamento da escrita.

No dicionário encontramos que Iteração nos evoca o ato de iterar; repetição. “É um processo de resolução de uma equação mediante uma sequencia de operações em que o objeto de cada uma é o resultado da que a precede”. Iteração é também, tornar a fazer, tornar a dizer… e é isso que estamos exercitando nesta segunda edição digital de Iteração.

Esperamos que esse segundo número tenha o mesmo efeito que o primeiro – posto que sempre há algo que se itera ou reitera ao colocar a nossa escrita em funcionamento, em movimento-marca de desejo. Os autores e colaboradores da revista fizeram um esforço a mais para exercer a função da escrita! De forma que agradecemos a todos aqueles que nos enviaram suas produções e em especial segue nosso agradecimento a Alberto Saul (membro da EOL /AMP) por ser o nosso entrevistado do segundo número de Iteração, e pelo trabalho de transmissão que vem realizando em nossa cidade.

Nessa edição digital, temos artigos que tratam de assuntos variados e que nos “ensinam” a cada leitura e releitura que deles fazemos. Anícia Ewerton nos lembra com maestria da diferença pertinente entre acting out e passagem ao ato; Carmen Damous nos brinda com um texto que trata de um assunto muito atual articulando o discurso analítico para reler um estranho sonho de um menino de 10 anos que mata os pais e depois se suicida. Flaviana partilha seu olhar sobre a violência na cidade de São Luiz; Joselle Couto e Lima nos ensina algo sobre a “Direção do tratamento” e a impostura do analista quando ocupa esse lugar no discurso e na experiência analítica propriamente dita. Lenita Estrela de Sá, nos fala do amor natural na obra de Carlos Drummond de Andrade, para mostrar o que esse amor é anti-natural posto que vem do húmus. Moacir Col Debella relata, com fragmentos clínicos, o que se passa na devastação e luto na feminilidade e como o luto e melancolia podem caminhar de braços dados em situações de trauma e de dor aguda. Silvana Sombra nos fala da Transferência e amor como antídotos à passagem ao ato e suas incidências sobre o corpo dos falasseres. Para finalizar a revista, faço comentários do filme “Á céu aberto”, que foi amplamente debatido com mais alguns, no CEUMA em abril último em nossa cidade.

Toda revista gera um material: Material é tomado no sentido do real do gozo. Lacan propõe, aqui, outra versão de um inconsciente que não é feito dos efeitos de significante sobre um corpo imaginário, mas um inconsciente que inclui a instância do real que é a pura repetição do mesmo, o que J.-A. Miller, em seu último curso, isolou na dimensão do Um-sozinho que se repete. Esta é verdadeiramente a zona fora do sentido e fora da garantia”. Então, nós, da Delegação Geral-Maranhão batizamos a revista com o nome de Iteração, sugerido pelo aderente da EBP e analista praticante Eduardo Riaviz, o que foi acatado por todos os participantes da DG/MA e que afinal, representa a continuação de nosso projeto de lançar  a cada ano uma revista digital, contando com os auspícios da EBP.

São Luiz, setembro de 2015